Xyridaceae – Xyris stenophylla

Erva cespitosa, perene, base pouco dilatada, mucilagem hialina ausente. Rizoma horizontal com entrenós longos.

Folhas 11–49 cm compr., espiraladas, eretas, fortemente torcidas; bainha 2,5–6 × 0,21–0,48 cm, pouco dilatada na base, castanho-clara, lisa, margem hialina, tricomas longos na base; lâmina 8,5–44 × 0,04–0,08 cm, achatada a filiforme, verde a castanha, lisa, margem glabra, ápice acuminado. Lígula presente. Espata 6–12 × 0,18–0,24 cm, verde a castanho clara, carena glabra, margem hialina, lâmina presente. Pedúnculo 23,5–64,5 × 0,03–0,09 cm, cilíndrico, verde a castanho, liso, sem costelas. Espiga 7,2–8,8 × 3,5–6,4 mm, obovoide; brácteas castanhas a castanho-escuras, carena ausente, mácula ausente, margem inteira, concolor, glabra; brácteas estéreis 4, ovadas; brácteas florais ca. 4, ovadas.

Flores com sépala anterior membranácea, avermelhada; sépalas laterais 5,5–7,5 mm compr., inclusas, oblanceoladas, elípticas a lanceoladas, equilaterais, ápice agudo, carena estreita, lacerado-fimbriada, porção superior avermelhada, tricomas se presentes castanhos; lobo das pétalas ca. 5,8 × 3,8 mm, obovado, margem erosa; estaminódios ca. 2,3 mm compr., densamente pilosos por todo ramo; estames ca. 3,8 mm compr., anteras oblongas; estilete 7,7 mm compr., ramos 2,9 mm compr.; placentação suprabasal.

Cápsula ca. 4 × 1,5 mm, estreito obovoide.

Sementes ca. 1,1 × 0,2 mm, castanho-avermelhadas, translúcidas, fusiformes ou lanceoladas, estriadas, ápice atenuado.

Distribuição e hábitat: Xyris stenophylla é endêmica do Brasil. Ocorre na Região Sul e nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Flora do Brasil 2020 em construção). No Paraná, é encontrada nos Campos Gerais e nos campos altomontanos da Serra do Mar.

Ocorre preferencialmente em campos úmidos com solo predominantemente orgânico e forma densas touceiras. É uma das poucas espécies do gênero que ocorre no cume das montanhas da Serra do Mar, podendo ser encontrada a 1850 m de altitude.

Fenologia: é encontrada com flores de outubro a fevereiro.

Notas taxonômicas: é similar morfologicamente a Xyris uninervis, por apresentar brácteas sem mácula e folha com lígula. Diferencia-se desta, por apresentar rizoma horizontal com entrenós longos e sépalas laterais inclusas, enquanto em X. uninervis o rizoma horizontal possui entrenós curtos e as sépalas laterais são exsertas.

Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.

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