Erva cespitosa, perene, base pouco dilatada, mucilagem hialina ausente. Rizoma ereto, com entrenós longos ou horizontal com entrenós curtos.
Folhas 25,3–67,6 cm compr., espiraladas, eretas; bainha 4,5–8,7 × 0,56–0,81 cm, gradativamente dilatada para base, castanho-escura, lisa, margem hialina, glabra; lâmina 20–60 × 0,04–0,05 cm, quadrada ou pelo menos em parte em corte transversal, verde, transverso-rugosa, margem levemente espessada nos ângulos, glabra, ápice agudo. Lígula presente. Espata 9,5–19,5 × 0,2–0,34 cm, castanho escura, carena glabra, margem hialina, lâmina presente, longa ca. 1/3 do tamanho. Pedúnculo 41,5–79,5 × 0,06–0,11 cm, sub-cilíndrico, verde a castanho, tranverso-rugoso, multi-costelado, costelas glabras. Espiga 7,5–11,2 × 4,8–7,7 mm, elipsoide a obovoide; brácteas castanho-escuras, carena ausente, mácula lanceolada, verde, margem inteira, concolor, glabra; brácteas estéreis ca. 8, ovadas; brácteas
florais ca. 18, ovadas.
Flores com sépala anterior membranácea, avermelhada; sépalas laterais 4,8–6,8 mm compr., inclusas a levemente exsertas, oblanceoladas, inequilatarais, ápice agudo, carena estreita, densamente longo-ciliada, principalmente nos 2/3 superiores, tricomas alvos a castanho-avermelhados; lobo das pétalas ca. 6 × 2,4 mm, obovado, margem erosa, estaminódios ca. 2 mm compr., densamente pilosos por todo ramo, estames ca. 2,7 mm compr., anteras oblongas; estilete 6,7 mm compr., ramos 2,5 mm compr.; placentação central-livre.
Cápsula ca. 3,5 × 1,4 mm, elipsoide.
Sementes ca. 0,9 × 0,15 mm, castanho-escuras, translúcidas, fusiformes, estriadas, ápice apiculado.
Distribuição e hábitat: Xyris regnellii ocorre na Argentina no Paraguai (Wanderley 2003). No Brasil, é registrada para os estados de Minas Gerais, São Paulo e Região Sul (Flora do Brasil 2020 em construção). No Paraná, apresenta sua distribuição com poucos registros nos campos dos três planaltos. Ocorre principalmente em campos pouco drenados, com relva alta, em torno de um metro. É uma espécie pouco frequente no estado.
Fenologia: é encontrada com flores de novembro a janeiro.
Notas taxonômicas: é a única espécie do gênero no Paraná a apresentar as lâminas quadrangulares em seção transversal, permitindo seu fácil reconhecimento apenas pelos caracteres vegetativos. É relacionada morfologicamente com Xyris rigida pelo porte, forma da espiga, brácteas com margem inteira e sépalas laterais que possuírem a carena densamente longo-ciliada, principalmente nos 2/3 superiores. Entretanto é facilmente reconhecida pela forma da lâmina e por apresentar o pedúnculo multi-costelado.
Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.