Xyridaceae – Xyris dissitifolia

Erva cespitosa, perene, base pouco dilatada, mucilagem hialina ausente. Rizoma ereto com entrenós longos.

Folhas 20–55 cm compr., espiraladas, eretas; bainha 13–16 × 0,58–0,65 cm, pouco dilatada na base, castanho-clara, transverso-rugosa a lisa, margem indistinta, glabra; lâmina 39–45 × 0,05–0,08 cm, sub-cilíndricas, verde, transverso-rugosa na base a lisa, margem glabra, ápice agudo. Lígula presente. Espata 28–31 × 0,41–0,5 cm, castanho clara, carena ausente, margem glabra, lâmina presente. Pedúnculo 34–59 cm, sub-cilíndrico, verde, liso, sem costelas. Espiga 10,3–11,1 × 11,4–11,9 mm, elipsoide; brácteas castanhas, carena ausente, mácula lanceolada, verde a acinzentada, margem inteira a raro levemente lacerada, concolor, pubescente nas mais jovens; brácteas estéreis ca. 6, ovadas; brácteas florais ca. 8, obovadas.

Flores com sépala anterior membranácea, avermelhada; sépalas laterais 8,3–8,7 mm compr., inclusas, oblanceoladas, sub-equilaterais, ápice obtuso, carena estreita, longo-ciliada, lanuginosa no ápice, tricomas castanhos; lobo das pétalas ca. 6,8 × 5,4 mm, largo elíptico a oblongo, margem erosa; estaminódios ca. 3,3 mm compr., densamente pilosos por todo ramo; estames ca. 4,5 mm compr., anteras oblongas; estilete ca. 8,6 mm compr., ramos ca. 4,4 mm compr.; placentação suprabasal.

Cápsula ca. 4,8 × 1,6 mm, obovoide.

Sementes ca. 1,3 × 0,4 mm, castanho-avermelhadas, translúcidas, fusiformes, estriadas, ápice apiculado.

Distribuição e hábitat: populações de Xyris dissitifolia são conhecidas somente no estado do Paraná e apenas no município de Campina Grande do Sul. Possui registros apenas nos topos de algumas montanhas acima de 1.500 m de altitude na Serra do Mar, sendo exposta a baixas temperaturas, que podem ser inferiores a 0 ºC. Habita organosolo, destacando-se pelo maior porte em meio da vegetação rasteira.

Fenologia: é encontrada com flores de novembro a janeiro.

Notas taxonômicas: é muito similar morfologicamente a Xyris neglecta, principalmente pelo porte e pelas sépalas laterais sub-equilaterais e lanuginosas no ápice. Diferencia-se desta por geralmente apresentar brácteas com margens inteiras, que são distintamente laceradas em X. neglecta.

Como já levantado por Wanderley (2003) estas espécies formam um complexo taxonômico, juntamente com Xyris filifolia L.A.Nilsson, X. lucida, X. rigida, X. reitzii, X. teres L.A.Nilsson, X. vacillans Malme e X. wawrae Heimerl. Estudos biossistemáticos são necessários para melhor delimitação destas espécies.

Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.

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