Rubiaceae – Psychotria nemorosa

Arbustos a subarbustos 1,5-2 m alt.; ramos delgados, cilíndricos, distalmente comprimidos. Estípulas bífidas, persistentes, 2-4 x 1,5-3 mm.

Folhas opostas, pecioladas; pecíolo 0,5-1 cm compr.; lâmina lanceolada a estreitamente elíptica, base aguda a decorrente, margem plana, ápice agudo a acuminado, 4-11 cm compr., 2-3 cm larg., membranácea, discolor, face abaxial secando castanho-olivácea a amarelada, face adaxial secando castanho-escura, glabra a esparsamente pilosa na face abaxial; venação eucamptódroma ou broquidódroma, nervuras secundárias 6-8 pares, salientes em ambas as faces, hirtelas abaxialmente, nervuras intersecundárias inconspícuas, retículo saliente abaxialmente.

Inflorescências terminais, dicasiais, arredondadas, ramificada em 2-3 ordens acima do pedúnculo; pedúnculo 2,5-4 cm compr.; brácteas 1-5 mm compr., lineares, agudas; hipanto 1,5-2,2 mm compr., ca. 1,5 mm larg., tubo igual ao comprimento do hipanto, truncado no ápice ou com lobos inconspícuos, irregulares; corola creme, 7-9 mm compr., ca. 3 mm larg., lobos reflexos, com anel de tricomas interno; estames inseridos na porção mediana do tubo; estigma bífido, glabro.

Drupas globosas a bilobadas, coroadas pelos restos do cálice, lisas quando secas, azuis a arroxeadas quando maduras, 4-4,5 mm compr., 3,5-5 mm diâm.

A morfologia dos espécimes de P. nemorosa coletados na Serra do Cipó coincide com aquela observada no material-tipo (Gardner 454). Taylor (2007) circunscreve esta espécie de modo a incluir Psychotria pubigera Schltdl., mas é possível que esta seja uma espécie distinta. Psychotria nemorosa é semelhante a Psychotria leiocarpa Cham. & Schltdl., porém esta última apresenta flores com corola mais curta e inflorescências mais delicadas, e tem ocorrência na Mata Atlântica (RJ, SP). No passado, Zappi & Stannard (1995) e Zappi et al. (2003) identificaram materiais provenientes da Chapada iamantina (Bahia) como P. leiocarpa, porém uma análise mais cuidadosa conduziu à transferência desses espécimes para Psychotria nemorosa. Na Serra do Cipó, esta espécie foi coletada apenas uma vez em capão de mata, florescendo em janeiro.

Fonte: ZAPPI, D. C.; CÁLIO, M. F. & PIRANI, J. R. Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais: Rubiaceae. Bol. Bot. Univ. São Paulo, v. 32, n. 1, p. 71-140, 2014.

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