Arbusto a arvoreta, ca. 2-5 m alt. Ramos pubescentes a glabros com a idade, esfoliantes, pardacentos, lenticelados, os mais jovens comprimidos lateralmente, pilosos.
Folhas com lâminas 20-40×10-20 mm, razão foliar 1,8-2,4, elípticas a ovadas, cartáceas, concolores a discolores, adaxialmente argênteas, glabrescentes, duplolimbinérveas, base cuneada a estreitamente cuneada, ápice agudo a longamente acuminado, margem esparsamente ciliada; nervura central adaxialmente sulcada, pubérula, abaxialmente proeminente; nervuras secundárias 8-10 pares, tênues, ângulo de divergência 45o-55 o ; nervuras marginais até 3 mm da borda; nervuras intramarginais até 1 mm da borda; pecíolos 3-6 mm compr., adaxialmente sulcados, pilosos, freqüentemente com lenticelas transversais.
Flores 5-10, raramente menos, em racemos axilares; eixo (15-)20-45 mm compr., pubérulo; ferofilos freqüentemente caducos, abaxialmente pubérulos, adaxialmente pilosos, ovados, ápice agudo, margens densamente longo-ciliadas; antopódio 5-10 mm compr., pubérulo; profilos persistentes, ca. 1,2×1,0 mm, abaxialmente glabrescentes, adaxialmente pilosos, ovados, ápice obtuso, margens densamente ciliadas; botões florais 3-4 mm compr., globosos; sépalas desiguais, 2 ca. 1,4×1,2 mm, 2 ca. 0,8×1,2 mm, ovadas, ápice obtuso, pilosas; pétalas ca. 3,0×2,3 mm; disco estaminal glabro, circular; estames 2-3 mm compr., glabros; ovário 4 óvulos/lóculos, glabro; estilete 3,5-4,0 mm compr., glabro.
Frutos globosos, 5-8 mm diâm., vermelho-escuros a pretos quando maduros.
Foram observadas flores de agosto a outubro, com predomínio em agosto, e frutos de setembro a novembro, predominando em setembro. Esse período de reprodução também foi registrado por Kausel (1966) e Rotman (1995) para a flora da Argentina.
Eugenia moraviana, juntamente com E. florida, difere das demais espécies da área por apresentar racemos longos. Suas folhas apresentam coloração argêntea característica, no material herborizado. Apresenta ampla distribuição na área de estudo, ocorrendo mais comumente no sub-bosque dos remanescentes de mata pouco perturbados. De acordo com Rotman (1995), distribui-se no sul do Brasil, Bolívia, Paraguai até o sul da Argentina. Trata-se de uma espécie seletiva higrófita e exclusiva de matas ripárias, sendo muito freqüente na região chaqueana do Paraguai e da Argentina (Legrand & Klein 1969).
Sinonímia botânica: Eugenia moraviana
Fonte: ROMAGNOLO, M. B. & SOUZA, M. C. de. O gênero Eugenia L. (Myrtaceae) na planície de alagável do Alto Rio Paraná, Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, Brasil. Acta Botânica Brasilica, v. 20, n. 3, p. 529–548, 2006.