Euphorbiaceae – Euphorbia chrysophylla

Ervas eretas, até 1m. Caules verdes a avermelhados, glabros.

Folhas alternas; lâminas 2-3×0,5-1cm, verdes a avermelhadas, elípticas a estreito-elípticas, base cuneada, ápice mucronado; margem levemente involuta, inteira, verde a avermelhada; glabras, com tricomas apenas na base da lâmina; nervação actinódroma; pecíolo 0,5-1mm, verde, glabro; estípulas ausentes. Ciátios em pleiocásios terminais com 5 eixos laterais; ciatófilos semelhantes às folhas, porém menores; invólucro campanulado, 2x2mm, glabro, lobos oblongos, ápice denteado; glândulas 5, trapezoidais, margem inteira, esverdeadas, apêndices ausentes; címulas estaminadas 5, 3-4 flores por címula; flores estaminadas com anteras amarelas; flor pistilada com pseudoperianto, lobos lineares e inteiros; ovários globosos, 1x1mm, verdes, glabros; estiletes delgados, esverdeados, 1-1,5mm, glabros, bífidos apenas nos ápices; estigmas capitados, verdes a amarelados.

Frutos subglobosos, 3-3,5×3,5-4mm, verdes, glabros, exocarpo liso; pedicelo acrescente, até 6mm; sementes ovoides, tetragonais em secção transversal, 2×1,5mm, negras, testa verrucosa; carúncula ausente.

Euphorbia chrysophylla ocorre no Brasil (Minas Gerais e São Paulo), Bolívia e no nordeste da Argentina. D6: em áreas úmidas ou solos alagadiços em cerrados. A espécie foi coletada com flores e frutos nos meses de janeiro, março, abril e julho.

Euphorbia chrysophylla é semelhante a E. elodes, podendo ser diferenciada desta com base no formato da lâmina foliar (elípticas a estreito-elípticas em E. chrysophylla e obovais em E. elodes), pelo número de eixos laterais dos pleiocásios (5 em E. chrysophylla e 3 em E. elodes) e das glândulas do ciátio (5 em E. chrysophylla e 4 em E. elodes). Nos espécimes herborizados observa-se também que as folhas de E. chrysophylla se apresentam distintamente involutas (vs. planas em E. elodes). Outra espécie semelhante a E. chrysophylla é E. rhabdodes, que também possui pleiocásios com 5 eixos laterais, podendo ser diferenciada pelas folhas com nervação actinódroma (vs. cladódroma em E. rhabdodes), com margem levemente involuta quando secas (vs. revoluta em E. rhabdodes), pelo número de glândulas do ciátio (5 em E. chrysophylla e 4 em E. rhabdodes) e pela ornamentação da testa da semente (verrucosa em E. chrysophylla vs. ruminada em E. rhabdodes).

Euphorbia chrysophylla foi reconhecida por Riina & Berry (2013) como um sinônimo de E. portulacoides subsp. collina (Phill.) Croizat. No entanto, a sinonimização de E. collina em E. portulacoides feita por Croizat (1943) não foi aceita por Subils (1977). De acordo com Subils (1977), uma das características que separam as duas espécies é a cor das glândulas do ciátio (verdes em E. collina e púrpuras em E. portulacoides), o que já havia sido observado por Boissier (1862), no tratamento da tribo Euphorbieae para o Prodromus de De Candolle.

Aparentemente, Croizat (1943) não observou esta diferença, uma vez que sua sinonimização foi proposta apenas com base nos tamanhos do invólucro e do fruto. Subils (1977) reconheceu, portanto, duas espécies distintas: E. collina (com 7 variedades, sendo uma delas E. collina var. chrysophylla) e E. portulacoides (com 3 variedades).

Acreditamos que a sinonimização de Euphorbia chrysophylla em E. collina não pode ser sustentada devido as seguintes características que são distintas entre as duas espécies: formato das folhas (elípticas a estreito-elípticas em E. chrysophylla e lineares em E. collina), número de eixos laterais dos pleiocásios (5 em E. chrysophylla e 3 em E. collina) e testa das sementes (verrucosa em E. chrysophylla e lisa em E. collina) e, portanto, aceitamos o nome Euphorbia chrysophylla no presente.

Fonte: SILVA, O. L. M. Estudo taxonômico de Euphorbia L. (Euphorbiaceae) no Estado de São Paulo, Brasil. 162f. Dissertação (Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente). Instituto de Botânica da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. São Paulo-SP. 2014.

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