Epífita, 10-23cm; caule pouco alongado. Roseta utriculosa.
Folhas rosuladas, polísticas, recurvas, 7-25cm; bainha suborbicular, muito distinta da lâmina; lâmina linear-filiforme, subereta a patente, retorcida, verde a acinzentada, 0,3-0,7cm larg., ápice acuminado-subulado. Escapo ereto ou recurvo, 6-12cm, ultrapassando a roseta; brácteas vermelhas, 5-22×0,1-0,6cm, foliáceas, as superiores excedendo a inflorescência.
Inflorescência simples ou com ramificações na base de até segunda ordem, 3-7cm, raque visível, flores dísticas. Brácteas florais avermelhadas, 1,3-2×0,4-0,7cm, excedendo as sépalas, estreitamente ovais, ápice agudo, eretas, ligeiramente incurvadas no ápice. Flores com sépalas vermelhas, 1,3-1,8×0,2-0,5cm, oblongas, lepidotas; pétalas azuis ou violeta, 3-4×0,5cm, lineares, ápice agudo; estames livres, exsertos, mais longos que o gineceu, filetes retos, complanados, ligeiramente dilatados em direção ao ápice, anteras basifixas; ovário ovóide, estilete mais longo que as
pétalas.
Distribuição geográfica e habitat: Espécie de ampla distribuição, ocorrendo no México, América Central, incluindo o Caribe, norte da América do Sul e Brasil, nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Na região Nordeste foi citada por Smith & Downs (1977) para os estados de Pernambuco, Alagoas e Bahia, porém recentemente foi também referida para o estado da Paraíba por Pontes & Agra (2006). Habita regiões de mata e restinga, preferindo locais úmidos, sendo encontrada muitas vezes em matas ciliares, tendo apenas um registro para caatinga. Espécie exclusivamente epífita.
Fenologia: Coletada com flores de fevereiro a setembro.
Tillandsia bulbosa pertence ao subgênero Tillandsia, caracterizado pelas sépalas simétricas ou quase, livres ou conatas em várias alturas; pétalas eretas na antese, geralmente estreitas; e estames e estilete exsertos (Smith & Downs, 1977). Dentre as espécies ocorrentes no estado, pode ser facilmente reconhecida, mesmo em estado vegetativo, por apresentar rosetas utriculosas (fig. 3. A).
Esta espécie não é considerada ameaçada de extinção, uma vez que há coletas recentes em localidades distintas. Entretanto não é facilmente encontrada, ocorrendo em florestas mais preservadas, principalmente em matas ciliares.
O espécime G. Hatschbach 68908 (MBM) destaca-se pelo pequeno porte, diferindo dos demais materiais estudados, que apresentam dimensões mais uniformes, principalmente com relação às folhas, escapo, brácteas do escapo e inflorescência.
As etiquetas de alguns materiais trazem informações sobre a presença de formigas na roseta desta espécie, o que sugere que haja algum tipo de associação ocorrendo junto à espécie. Segundo Benzing (1990), este tipo de associação seria uma forma de obtenção de nutrientes, pois elas depositariam na planta outros insetos capturados por elas, além das excretas das próprias formigas, no entanto, para que afirmações mais consistentes sejam feitas, é necessário a realização de estudos ecológicos específicos.
Fonte: FIORATO, L. O gênero Tillandsia L. (Bromeliaceae) no estado da Bahia, Brasil. 107 p. Dissertação (Mestrado em Biodiversidade). Instituto de Botânica da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. São Paulo-SP, 2009.