Begoniaceae – Begonia barkleyana

Erva terrestre ou rupícola. Caule ereto, glabro. Estípulas ca. 35 × 12 mm, elípticas, margem inteira, tardiamente caducas, glabras.

Pecíolo 5−22 cm compr., glabros; lâminas basifixas, 19.5−28.5 × 12.5−18.5 cm, largamente ovada, inteiras, assimétrica, oblíquas, base lobulada, cordada, margem denteada a denticulada, ápice agudo; membranáceas, glabras a esparsamente pubescentes; nervura principal diferenciável das demais nervura, oblíqua em relação ao pecíolo.

Cimeiras dicasiais 13.3−15.5 cm compr., 2−3 nós, glabra. Flores estaminadas alvas, sépalas 2, 21−30 × 20−27 mm, largamente ovadas, margem inteira, glabra; pétalas 2, ca. 11 × 6 mm, elípticas, margem inteira, glabra. Flores pistiladas alvas, sépalas 2, ca. 14 × 10 mm, largamente ovadas, margem inteira, glabras; pétalas 3, 9−17 × 4−13 mm, duas largamente elípticas e uma obovada, margem inteira, glabras.

Cápsulas 10−11 × 3−4 mm, glabras; alas subiguais entre si, as menores ca. 14 × 7 mm, a maior ca. 14 × 11 mm, largamente triangular ascendente.

Esta espécie ocorre principalmente na região litorânea, junto ao limite entre Paraná e Santa Catarina, em altitudes que variam de 300 a 700 m.

Begonia barkleyana pode ser reconhecida pelas lâminas foliares largamente ovadas, membranáceas, com a margem denticulada (Fig. 8d); além disso, as sépalas das flores estaminadas são relativamente grandes (21−30 × 20−27 mm) quando comparadas com as demais espécies Begonia da região.

Dentre as exsicatas aqui consideradas sob B. barkleyana foram incluídas desde amostras glabras até esparsamente pubescentes, com observam Smith & Smith (1971). Pode-se notar que as amostras com folhas glabras localizam-se na região mais montanhosa da porção sul do litoral paranaense, na Serra do Mar, enquanto aquelas com folhas pubescentes aparecem na planície litorânea, desde Guaratuba até o norte do litoral catarinense e no município de Adrianópolis, no estado do Paraná.

Algumas exsicatas de B. barkleyana foram previamente identificadas como “B. diaphones” (G. Hatschbach 34334) e “B. hypserythros” (G. Hatschbach 14063), ambas consideradas como espécies novas por Lyman Smith e Dieter Wasshausen, porém nunca publicadas. Estas amostras são aqui consideradas apenas como variabilidade morfológica do tamanho foliar de B. barkleyana.

A espécie se assemelha a B. inermis, com a qual compartilha lâminas membranáceas, ovadas a largamente ovadas com margem denteada; no entanto, em B. barkleyana algumas estruturas são maiores, como as lâminas (19.5−28.5 × 12.5−18.5 cm vs. 13.5 × 4−9.7), as estípulas (21−30 × 20−27 mm vs. ca. 10 × 5 mm) e as sépalas das flores estaminadas (21−30 × 20−27 mm vs. 7−8 × 5 mm), além de apresentar pecíolos com anel de tricomas no ápice (vs. ausência de anel de tricomas)

Fonte: VILLADA, J. C. J. Sinopse taxonômica do gênero Begonia L. (Begoniaceae) para a Região sul do Brasil. 90f. Dissertação (Mestrado em Biologia). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis-SC, 2017.

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