Apocynaceae – Mandevilla bahiensis

Liana ou arbusto escandente, 1-3 m alt., látex branco. Ramos flexuosos, glabros a pubescentes; coléteres 6-vários, na região nodal, estreito-cônicos.

Folhas decussadas, 2-2,9 × 1,7-3 cm, coriáceas, cordiformes, largo-ovais, oblatas, ápice emarginado-mucronulado a cuspidado, base atenuada a cordada, arredondada, margem inteira, sinuada, conduplicadas, glabras; subsésseis ou curto-pecioladas, pecíolo subcilíndrico, 2-4 mm compr., glabro a escabroso; coléteres 2, na base da nervura central da face adaxial.

Inflorescência axilar; brácteas 1-4 mm compr., triangulares a truladas, ápice agudo, ciliadas; coléteres 2-4 na base das brácteas. Flores actinomorfas. Lacínias do cálice 5-8 mm compr., lanceoladas, ápice acuminado; coléteres 2-4, escamiformes, oblongos. Corola infundibuliforme; tubo inferior 1-1,4 cm compr., verde-vináceo, o superior 1-2,2 cm compr., róseo a magenta; fauce amarela ou branca; lobos 1,2-2,3 cm compr., obovais, ápice obtuso, róseos a magenta. Estames subsésseis; filetes 1-1,5 mm compr.; anteras 6-7 mm compr., lineares, ápice apiculado, base auriculada. Nectários 2, opostos, oblongos, ápice arredondado. Ovário 1-2 mm compr., ovóide; estilete 1,3-1,5 cm compr., cabeça do estilete 1,3-2,3 mm compr.

Folicários 8-15,5 cm compr.; sementes estreitamente elipsóides.

Woodson (1933) propôs a variedade M. moricandiana var. bahiensis diferenciando-a de M. moricandiana var. moricandiana apenas pela pilosidade nos ramos e folhas. Contudo, Sales (1993) reconheceu uma série de caracteres diferenciais entre essas variedades, tais como a sinuosidade dos ramos, a forma e a disposição das folhas e a forma da corola, elevando-o à categoria de espécie. O nome do novo status, no entanto, não foi validamente publicado desde então, o que está sendo realizado nesta ocasião.

Mandevilla bahiensis é frequente no Parque, aparecendo na forma de liana ou arbusto escandente, sempre com folhas conduplicadas e flores vistosas. É uma espécie restrita à Chapada Diamantina, ocorrendo sobre os afloramentos rochosos nos campos rupestres. Foi coletada com flores durante todo o ano e com frutos de maio a janeiro. Ela possivelmente foi identificada por Harley & Simmons (1986) como M. eximia (Hemsl.) Woodson, um nome cuja identidade merece investigação mais detalhada.

Fonte: WATANABE, M. T. C.; ROQUE, N. & RAPINI, A. Apocynaceae sensu strictum no Parque Municipal de Mucugê, Bahia, Brasil, incluindo a publicação válida de dois nomes em Mandevilla Lindl. Rev. Iheringia, Sér. Bot., Porto Alegre, v.64, n.1, p.63-75, 2009.

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