Rubiaceae – Borreria spinosa

Caracterização: Erva ereta, 20−50 cm alt. Caule tetrangular, verde a vináceo, não lenticelados, glabro, piloso nos ângulos, entrenós 3.6−6.2 cm. Bainha estipular 2.5−6 × 2.8−9 mm, fimbriada, 7−10 fimbrias, persistentes, glabra, sem coléteres.

Folha oposta ou pseudoverticilada, séssil; lâmina 2.8−8.2 × 2.15−3 cm, elíptica a largo-lanceolada, base acunheada a truncada, ápice agudo, margem inteira, membranácea, pilosa nas faces superior e inferior, venação eucamptrodoma, nervura principal com papilas e secundárias proeminentes na face inferior, 4−7 pares de nervuras secundárias, verde. Glomérulo, 2.8−3.5 × 2.5−3 cm, terminal ou axilar, séssil, 60−120 flores, 2-8 brácteas foliáceas, 2.1−4.8 × 0.7−2.4 cm, elípticas a lanceoladas, verdes, hirsuta na face superior e inferior com papilas ao longo das nervuras.

Flor séssil, glabra; botão floral 2.5−2.6 × 1.6−1.9 mm, ovado, ápice agudo, piloso no ápice. Cálice subulado, 1−2 × 0.8−1 mm, 2 lacínios, iguais, verde, piloso externamente. Corola infundibuliforme, branca, prefloração valvar, tubo 2−2.1 × 1.7−2.2 mm, ereto, em forma de campana, glabro externamente e piloso internamente, 4 lobos, menores que 1 mm, ápice agudo, externamente glabro e internamente com um anel de tricomas na inserção dos filetes. Estames 4, exsertos, presos a fauce; filetes 1−1.2 mm, glabros; anteras 0.7−1 mm, oblongas, brancas, glabras. Hipanto 1.5−3.2 mm compr., oblongo, glabro. Ovário bilocular, uniovular, placentação axial; estilete 1−2 mm comp., cilíndrico, glabro; estigma bilobado, papiloso.

Fruto seco, cápsula septicida, 2−4 × 1−1.8 mm, oblonga, com 2 linhas de deiscência, cálice persistente, verde quando imaturo, marrom quando maduro, piloso no ápice.

Semente elipsoide, 1.2−3 × 0.6−0.8 mm, sulco ventral com estrofíolos nas bordas e no interior, face dorsal côncava ruminada, castanha.

Distribuição geográfica: Borreria spinosa apresenta distribuição nas Américas, do México a Argentina (Cabral et al. 2011). No Brasil há registros para todas as regiões geográficas sendo que no Norte ocorre apenas em Tocantins. Sua abrangência contempla os domínios fitogeográficos da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica (Flora do Brasil 2020 – em construção).

Considerações: Na região, foi encontrada no entorno da Serra, áreas agricultáveis, ao longo das trilhas de acesso ao local de estudo e em ambientes antropizados. Floresce e frutifica nos meses de março a junho, acompanhando o período chuvoso, já que há maior quantidade de água favorecendo o desenvolvimento das suas fases reprodutivas. Diferencia-se das demais espécies de Borreria diagnosticadas na Serra da Arara, pelas folhas pseudoverticiladas, número de brácteas foliáceas (podendo atingir até oito) e sementes com estrofiolos nas bordas do sulco ventral. É conhecida popularmente, na região, como “cabeça de velho” sendo visitada por abelhas e formigas (Pereira & Pereira 2018). A referida espécie apresenta características morfológicas muito semelhantes a Borreria capitata diferenciando desta pelo número de brácteas (8 vs 4), número de lacínios do cálice (2 vs 4) e pilosidade do fruto (piloso no ápice vs escabro)

Fonte: QUARESMA, A. A. & PEREIRA, M. do S. Flora da Serra da Arara: Rubiaceae Juss. Pesquisa e Ensino em Ciências Exatas e da Natureza, 4: e1298, 2020.

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