Arbusto a arvoreta, ca. 3-6 m alt. Ramos glabros a mais raramente pilosos, esfoliantes em placas longitudinais irregulares, marrom-acinzentados, raramente prateados, lenticelados, os mais jovens comprimidos lateralmente na região dos nós; tricomas simples, aglomerados na região dos nós.
Folhas com lâminas 35-70×15-30 mm, razão foliar 1,8-2,7, ovadas, às vezes elípticas, coriáceas, concolores a discolores, glabras, excepcionalmente com tricomas reduzidos às nervuras centrais, pontos translúcidos mais evidentes abaxialmente, limbinérveas, base obtusa a aguda, ápice de agudo a curtamente acuminado, margem lisa a
ondulada, cartilagínea, freqüentemente revoluta; nervura central adaxialmente sulcada, abaxialmente proeminente; nervuras secundárias 8-12 pares, mais evidentes na face abaxial, ângulo de divergência 50 o -65 o ; nervuras marginais até 3 mm da borda; pecíolos 2-3 mm compr., adaxialmente sulcados, glabros a pilosos, freqüentemente muito rugosos, com lenticelas transversais, escuros a pardacentos no material herborizado.
Flores (2-)3-8, em racemos umbeliformes, axilares, extra-axilares ou terminais, freqüentemente em ramos desfolhados; eixo muito reduzido a ausente; ferofilos triangulares, pilosos em ambas as faces, margens ciliadas; antopódio 5-10 mm compr., glabro, brilhante; profilos persistentes, ca. 1,2×0,8 mm, glabrescentes em ambas a faces, ovados, ápice agudo, margens ciliadas; botões florais 4-6 mm compr., globosos; sépalas desiguais, 2 ca. 2,3×2,0 mm, 2 ca.1,7×1,8 mm, ovadas, ápice obtuso, glabras; pétalas ca. 6,0×4,5 mm; disco estaminal glabro, circular; estames 3-6 mm compr.; ovário 6-9 óvulos/lóculo, glabro; estilete 6-7 mm compr., glabro.
Frutos oblongos, 8-11×5-7 mm, vináceos a pretos quando maduros.
Foram observadas flores de março a agosto, com predomínio em junho, e frutos de abril a outubro. O período reprodutivo observado estende-se por oito meses, sendo comum encontrar indivíduos com botões e/ou flores, e outros com frutos no mesmo período. Soares-Silva (2000), na bacia do rio Tibagi (Paraná), registrou um período de reprodução igual ao da área de estudo.
Eugenia hyemalis apresenta folhas com forma, coloração e pilosidade variadas. Em alguns indivíduos ocorrem lâminas ovadas, de coloração mais escura e tricomas nas nervuras centrais, em oposição a outros, com lâminas elípticas, de coloração mais pálida e nervura central glabra. Difere das demais espécies da área de estudo por apresentar folhas de margens cartilagíneas e sépalas de coloração creme-esverdeada até vinácea, destacando os indivíduos, na paisagem, quando floridos.
É uma espécie de ampla distribuição na área de estudo, sendo encontrada em todos os ambientes visitados. Nos remanescentes florestais pouco perturbados, faz parte do sub-bosque, juntamente com outras espécies de Eugenia e de Rubiaceae. Em áreas muito perturbadas, ocupadas ou não por pastagem, forma densas populações de indivíduos com 2-3 m de altura, bastante ramificados desde a base, que ocorrem agrupados e chegam a florescer e frutificar com a altura de 50 cm. De acordo com Legrand & Klein (1969) e Bernardi (1985), é encontrada com freqüência nas margens dos rios, em áreas de pastagem e em associações secundárias, não tendo exigências de umidade. Segundo Kawasaki (1989), ocorre nas matas ciliares da Serra do Cipó, no Estado de Minas Gerais, distribuindo-se até o Estado do Rio Grande do Sul, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Sinonimia botanica: Eugenia hyemalis
Fonte: ROMAGNOLO, M. B. & SOUZA, M. C. de. O gênero Eugenia L. (Myrtaceae) na planície de alagável do Alto Rio Paraná, Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, Brasil. Acta Botânica Brasilica, v. 20, n. 3, p. 529–548, 2006.