Myrtaceae – Eugenia florida

Arbusto a arvoreta, ca. 3-7 m alt. Ramos glabros a mais raramente pilosos, esfoliantes, marrom-acinzentados, freqüentemente prateados, lenticelados, os mais jovens, comprimidos lateralmente.

Folhas com lâminas 40-120×20-50 mm, razão foliar 2,0-2,8, elípticas a ovadas, subcoriáceas, glabras, discolores, face adaxial verde-acinzentada a castanho-clara, pontos translúcidos evidentes abaxialmente, duplolimbinérveas, base cuneada, ápice agudo a curtamente acuminado, margem freqüentemente revoluta; nervura central adaxialmente sulcada, com tricomas hialinos esparsamente distribuídos, abaxialmente proeminente, pontos translúcidos esparsos; nervuras secundárias 8-12 pares, mais evidentes na face abaxial, ângulo de divergência 40o -50 o ; nervuras marginais ca. 3 mm da borda, nítidas na metade superior; nervuras intramarginais até 1,5 mm da borda, formadas pelo primeiro par basal de nervura secundária, não confluentes com as demais, correndo paralelo à borda; pecíolos 5-7 mm compr., adaxialmente sulcados, pubérulos, com pontuações translúcidas, freqüentemente com lenticelas transversais, escurecidos no material herborizado.

Flores (5-)6(-8), em racemos axilares; eixo 20-30 mm compr., pubérulo; ferofilos 1,2×1,5 mm, glabrescentes em ambas as faces, ovados, ápice agudo, margens densamente ciliadas; antopódio 3-5 mm compr., pubérulo; profilos persistentes, ca. 1,2×1,5 mm, glabrescentes em ambas as faces, ovados, ápice obtuso, margens densamente ciliadas; botões florais 4-6 mm compr., globosos; sépalas desiguais, 2 ca. 2,3×1,8 mm, 2 ca. 1,2×1,8 mm, ovadas, ápice obtuso, pilosas; pétalas ca. 5,5×3,5 mm; disco estaminal glabro, subquadrangular; estames 3,5-5,0 mm compr.; ovário 4 óvulos/lóculo, glabro; estilete 4,5-5,5 mm compr., glabro.

Frutos globosos, 10-13 mm diâm., vermelho-escuros a pretos quando maduros.

Foram observadas flores de agosto a outubro, com predomínio em setembro, e frutos de setembro a dezembro.

Eugenia florida apresenta folhas membranáceas e avermelhadas quando jovens, tornando-se subcoriáceas quando adultas, sendo bastante variáveis quanto ao tamanho, o que pode ser observado em um mesmo indivíduo. Eugenia florida assemelha-se a E. moraviana, ambas apresentando racemos longos, o que as diferencia das demais espécies da área estudada. Eugenia florida, no entanto, possui folhas mais largas, de ápice curtamente acuminado e nervuras secundárias mais evidentes, e mais longas do que os racemos. As flores e os frutos, entretanto, não oferecem atributos distintivos. Baseando-se nessa dificuldade, Priori et al. (2002) realizaram um estudo de polimorfismo molecular, evidenciado com RAPD (Random Amplified Polymorphic DNA), para verificar a diversidade genética entre populações de E. florida e E. moraviana na mesma região deste estudo, concluindo que as populações de E. florida e E. moraviana são diferentes.

É uma espécie de ampla distribuição na área de estudo, sendo, entretanto, mais abundante nas florestas dos diques marginais das ilhas e dos canais Baía, Corutuba e Poitã. De acordo com Lorenzi (1992), é uma espécie de vegetação secundária, indiferente às condições de umidade do solo, sendo freqüentemente encontrada no interior das matas e
nos fundos de vale, onde o solo é profundo e fértil, e recomendada para paisagismo e reflorestamento.

Seus frutos são apreciados por aves que disseminam as sementes. Segundo McVaugh (1958), é uma das espécies de Eugenia de mais ampla distribuição na América do Sul, estendendo-se desde a Colômbia até a Bolívia, e desde a Guiana até o sul do Brasil, desenvolvendo-se nas mais variadas amplitudes ecológicas.

Fonte: ROMAGNOLO, M. B. & SOUZA, M. C. de. O gênero Eugenia L. (Myrtaceae) na planície de alagável do Alto Rio Paraná, Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, Brasil. Acta Botânica Brasilica, v. 20, n. 3, p. 529–548, 2006.

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