Arvoreta até 5 m alt., látex branco. Ramos lenhosos, estriados, cilíndricos, com cicatrizes deixadas pelas folhas, glabros; coléteres ao longo da região nodal.
Folhas verticiladas, densamente dispostas no ápice dos ramos, 7,5-12 × 2-5 cm, coriáceas, elípticas a oblanceoladas, ápice arrendondado a mucronulado, base atenuada, margem inteira; sésseis; coléteres isolados ou agrupados nas axilas e cicatrizes das folhas, filiformes, pontiagudos, coriáceos.
Inflorescência terminal, cimosa; brácteas ca. 1,2 × 0,4 cm, triangulares a deltóides, agudas. Flores 1-1,4 cm compr. Lacínias do cálice 2-4 mm compr., triangulares, ápice agudo, ciliadas. Corola hipocrateriforme; tubo cilíndrico, róseo, 6-8 mm compr.; lobos 4-6 mm compr., lanceolados, ápice arredondado, margem convoluta, alvos e pubescentes adaxialmente, róseos e glabrescentes abaxialmente. Estames adnatos à porção inferior do tubo da corola; anteras 1-2 mm compr., ápice acuminado, sésseis. Ovário ca. 1 mm compr., obcônico; estilete 1,5-2 mm compr., cabeça do estilete ca. 2 mm compr., bilobado.
Baga 4-6 cm diâm., elipsóide, verde a castanha; sementes oblongas, ariladas, numerosas.
Esta espécie cujo nome popular origina o nome do município (Mucugê) ocorre na região Amazônica, tanto na porção brasileira (AM, RR) como na extrabrasileira, principalmente na Venezuela (Zarucchi et al., 1995). Apresenta ainda distribuição disjunta entre a região litorânea da Bahia e a Chapada Diamantina.
No Parque Municipal de Mucugê, pode ser encontrada principalmente ao longo do córrego do rio Piabinha. Seus frutos saborosos e seu látex potável (utilizado como substituto do leite) são aproveitados pela população local na alimentação. É notável a diminuição desta espécie no campo, quando registros atuais são comparados com os registros nos herbários e os relatos populares. Coletada com flores e frutos de setembro a março.
Fonte: WATANABE, M. T. C.; ROQUE, N. & RAPINI, A. Apocynaceae sensu strictum no Parque Municipal de Mucugê, Bahia, Brasil, incluindo a publicação válida de dois nomes em Mandevilla Lindl. Rev. Iheringia, Sér. Bot., Porto Alegre, v.64, n.1, p.63-75, 2009.