Ervas perenes, raiz principal pouco desenvolvida.
Folhas 10,4-35,3×2,2-6,4cm, elípticas, elíptico-lanceoladas ou oblanceoladas, raramente rômbicas, ápice agudo ou obtuso, margem inteira a esparsamente denteada, base atenuada a longamente atenuada assemelhando-se a um pecíolo, face adaxial subglabra a pubescente, abaxial pubescente, tricomas articulados, 5-nervada. Escapo 9,7-28,7cm, pubescente a tomentoso, tricomas articulados predominantemente voltados para o ápice. Espiga 8,9-35,8cm; brácteas 2-3,5(5)×0,5-1mm, triangulares, lanceoladas ou elípticas, ápice agudo, subciliada, glabras ou com tricomas esparsos na nervura central.
Flores com sépalas ventrais 2-2,5×1mm, unidas apenas na base, elípticas a oblanceoladas, ápice obtuso a arredondado ou menos freqüentemente agudo, margem inteira, hialina, dorsais 2×1,5mm, oval-orbiculares, ápice obtuso, margem inteira e largamente hialina, glabras, tubo da corola 1,5-2×1-1,5mm, lobos 2-3×1mm, lanceolados.
Fruto 1,5-2×1,5mm, ovóide; sementes 3, 1-1,5×1mm, elíptico-lanceoladas.
Ocorre do sul do Arizona até o México, América Central e maior parte da América do Sul, exceto no extremo sul e planícies tropicais. No Brasil, do sul de Minas Gerais a Santa Catarina, com ampla distribuição no Estado de São Paulo, ocorrendo principalmente em áreas perturbadas e como planta invasora de culturas. D6, D7, D8, E4, E7, F4, F5, F7. Foi coletada em flor e fruto de outubro a abril.
P. australis é uma espécie bastante variável, freqüentemente confundida com P. tomentosa Lam. De acordo com Rahn (1974), P. tomentosa diferencia-se de P. australis por apresentar raiz principal bem desenvolvida. Entretanto, observando-se diversos materiais, foi possível perceber que esta característica é relativamente fraca para a separação destas duas espécies, já que o grau de desenvolvimento do rizoma ou raiz principal pode variar bastante. Uma vez que não foi analisada uma quantidade tão significativa de indivíduos dessas espécies, optou-se por seguir a delimitação proposta por Rahn (1974) e considerá-las como duas espécies distintas. Este mesmo autor referiu oito subespécies de P. australis, diferenciadas basicamente pelo número de óvulos no ovário, coloração da planta quando seca, formato e indumento das brácteas, tamanho relativo entre espiga e escapo e tamanho da corola, além da distribuição geográfica. No presente trabalho, esta espécie não foi tratada ao nível de variedade.
Fonte: SOUZA, J. P. & SOUZA, V. C. Plantaginaceae. Parte integrante da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, v.2, p.225-228, 2002.