Xyridaceae – Xyris tortula

Erva solitária ou cespitosa, anual, base dilatada, sub-bulbosa, mucilagem hialina ausente. Rizoma horizontal com entrenós curtos, raro ereto com entrenós longos.

Folhas 9,5–41 cm compr., espiraladas, eretas, fortemente torcidas; bainha 2,5–10 × 0,69–1,73 cm, abruptamente dilatada na base, castanho-clara, avermelhada para base, lisa, margem hialina, ciliada apenas na base; lâmina 7–31 × 0,18–0,27 cm, achatada, verde, lisa, nervuras conspícuas, margem glabra, ápice acuminado. Lígula ausente. Espata 4,5–20 × 0,21–0,35 cm, verde, avermelhada na base, carena glabra, margem hialina, lâmina ausente. Pedúnculo 16,5–93 × 0,07–0,14 cm, sub-cilíndrico, verde, liso, levemente estriado, 1-costelado, costelas glabras a escabras. Espiga 5,9–10,9 × 0,7–6,8 mm, globosa a largo-elipsoide, abrindo mais de uma flor por vez; brácteas castanho-escuras, muitas vezes com mancha negra próximo a base, carena ausente, mácula ausente, margem lacerada, hialina, geralmente caduca, glabra; brácteas estéreis ca. 6 ovadas; brácteas florais ca. 14–18 obovadas.

Flores com sépala anterior membranácea, castanha; sépalas laterais 4,3–5,7 mm compr., inclusas, elípticas a oblanceoladas, inequilatarais a fortemente inequilaterais, ápice obtuso, carena estreita, curto-ciliada, tricomas castanhos; lobo das pétalas 4 × 3,5 mm, obovado, margem erosa; estaminódios ca. 1,8 mm compr., densamente
pilosos por todo ramo; estames ca. 2,1 mm compr., anteras sagitadas; estilete ca. 4,1 mm compr., ramos ca. 1,1 mm compr.; placentação basal.

Cápsula ca. 4–5,2 × 2–2,3 mm, oblonga.

Sementes ca. 0,5–0,7 × 0,2 mm, castanho-avermelhadas, translúcidas, fusiformes a lanceoladas, reticuladas ou estriadas, ápice apiculado.

Distribuição e hábitat: Xyris tortula é endêmica do Brasil, distribuindo-se nos estados: Bahia, Distrito Federal, Espirito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo (Flora do Brasil 2020 em construção). No Paraná, ocorre nos três planaltos e nas montanhas mais baixas da Serra do Mar.

É uma das espécies mais comuns no estado, ocorrendo em ambientes com constante fluxo de água, como valas à beira da estrada e margem de rios. Raramente é encontrada em banhados, mas pode ocorrer neste tipo de ambiente. Nas populações encontradas no Paraná, geralmente não forma touceiras, sendo mais comum encontrar indivíduos solitários.

Fenologia: é encontrada com flores de novembro a março. Foi observada com flores abertas apenas
pela manhã.

Notas taxonômicas: por possuir tricomas na base da bainha, lâmina achatada, lígula ausente e brácteas sem mácula, dentre as espécies que ocorrem no Paraná, Xyris tortula pode ser confundida com Xyris asperula e X. metallica. Diferencia-se destas por X. tortula possuir pedúnculo com a costela glabra, ciliada em X. metallica e lâmina e pedúnculo lisos, transverso-rugosos em X. asperula.

Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.

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