Erva cespitosa, perene, base pouco dilatada, mucilagem hialina ausente. Rizoma ereto com entrenós longos ou horizontal com entrenós curtos.
Folhas 19–130 cm compr., espiraladas, eretas; bainha 6,5–26 × 0,71–1,39 cm, gradativamente dilatada para base, castanho-clara a castanho-escura avermelhada, lisa, margem indistinta, glabra; lâmina 12,5–109 × 0,05–0,14 cm, sub-cilíndrica, verde, lisa a transverso-rugosa na base, margem glabra, ápice agudo. Lígula presente. Espata 12–25,5 × 0,38–0,65 cm, castanho-clara a castanho-escura, carena ausente, margem glabra, lâmina presente. Pedúnculo 53–137 × 0,07–0,12 cm, cilíndrico, verde, glabro, sem costelas. Espiga 8,9–14,2 × 5,2–8,6 mm, em geral elipsoide, podendo ser de ovoide a obovoide; brácteas castanhas, carena ausente, mácula lanceolada, acinzentada a verde, margem lacerada, concolor, castanho-pubescente a alvo-pubescente; brácteas estéreis ca. 10, obovadas; brácteas florais 18–28, obovadas.
Flores com sépala anterior membranácea, avermelhada; sépalas laterais 5,8–8,6 mm compr., inclusas a levemente exsertas, estreito-oblanceoladas, sub-equilaterais, ápice obtuso, carena alargada, longo-ciliada, lanuginosa no ápice, tricomas alvos a avermelhados; lobo das pétalas 6,4–7,1 × 3,9–4,9 mm, obovado, margem erosa; estaminódios 2,6–3,6 mm compr., densamente pilosos por todo ramo; estames 3,2–3,3 mm compr., anteras oblongas; estilete 7,4–8,1 mm compr., ramos 2,8–3,3 mm compr.; placentação suprabasal a central-livre.
Cápsula 5,1–5,8 × 1,9–2 mm, fusiforme.
Sementes 1–1,2 × 0,3 mm, castanho-escuras, opacas, fusiformes, estriadas, ápice apiculado.
Distribuição e hábitat: Xyris neglecta é endêmica do Brasil e pode ser encontrada nos estados de Paraná, Santa Catarina e São Paulo (Flora do Brasil 2020 em construção). No Paraná, é muito frequente na região dos Campos Gerais, formando grandes populações em campos úmidos e margens de rios lajeados.
Fenologia: pode ser encontrada com flores de outubro a fevereiro.
Notas taxonômicas: Xyris neglecta apresenta uma grande amplitude de variação morfológica em relação ao porte e à base da lâmina, que pode ser de rugosa (E.D. Lozano 2242 [MBM], G. Hatschbach 15372 [MBM]) a lisa (E.D. Lozano 2360 [MBM], G. Hatschbach 8364 [MBM]). Esta variação também pode ocorrer conjuntamente no mesmo indivíduo (E.D. Lozano 2635 [MBM]). O indumento das sépalas laterais podem apresentar tricomas vermelhos (E.D. Lozano 2006 [MBM]) a brancos (E.D. Lozano 2360 [MBM]). Esta variação na coloração dos tricomas também pode estar presente no mesmo indivíduo (E.D. Lozano 1183 [MBM], G. Hatschbach 22807 [MBM]). Outra variação observada é a presença de rizoma ereto, especialmente quando ocorre sobre substrato constantemente encharcado.
Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.