Xyridaceae – Xyris metallica

Erva cespitosa, perene, base pouco dilatada, mucilagem hialina ausente. Rizoma horizontal com entrenós curtos.

Folhas 31–56 cm compr., espiraladas, eretas; bainha 12,6–16 × 0,63–0,79 cm, gradativamente dilatada para base, castanho-amarelada, transverso-rugosa a lisa, margem hialina, ciliada a glabrescente, podendo apresentar tricomas longos na base; lâmina 18–42,2 × 0,22–0,38 cm, achatada, verde a castanha, lisa, estriada, margem escabro-ciliada a glabrescente, ápice agudo. Lígula ausente. Espata 22,3–28,9 × 0,33–0,49 cm, castanho clara a avermelhada, carena curto-ciliada a glabra, margem hialina, lâmina presente. Pedúnculo 69,1–79,2 × 0,11–0,18 cm, sub-cilíndrico, verde, liso com pontuações vermelhas, 1-costelado, costela curto-ciliada, tricomas castanhos. Espiga 8,8–10,6 × 6,9–7,4 mm, elipsoide a obovoide; brácteas castanho-escuras, as basais carenadas, mácula ausente, margem inteira, hialina caduca, glabra; brácteas estéreis ca. 10, elípticas; brácteas florais 10–22, oblongas.

Flores com sépala anterior membranácea, avermelhada; sépalas laterais 5,7–6,8 mm compr., inclusas, oblanceoladas, inequilatarais, ápice obtuso, carena estreita, curto-ciliada, tricomas castanhos; lobo das pétalas ca. 5 × 2,4 mm, oblongo a obovado, margem erosa; estaminódios 1,7–4,2 mm compr., densamente pilosos; estames 1,5–5 mm compr., anteras sagitadas; estilete 5,6–6,1 mm compr, ramos 3,2–3,5 mm compr.; placentação basal.

Cápsula ca. 5 × 1,4 mm, fusiforme.

Sementes ca. 0,8 × 0,3 mm, castanho-avermelhadas, translúcidas, fusiformes, multicosteladas, ápice apiculado.

Distribuição e hábitat: Xyris metallica possui registros nas Regiões Sudeste, Centro-oeste e Nordeste, principalmente no bioma Cerrado (Wanderley 2003). Trata-se de um novo registro para o Paraná, que surge como limite austral de sua distribuição. Ocorre nas margens de rios lajeados e campos úmidos próximos a cursos d’água. As populações encontradas no presente levantamento, ou ocorrem muito próximas a áreas urbanas, ou encontram-se em pequenos fragmentos de vegetação nativa, o que representa grande ameaça a estas populações.

Fenologia: é encontrada com flores de dezembro a janeiro.

Notas taxonômicas: a espécie pode ser confundida com X. glandacea por possuir brácteas sem mácula e margem da lâmina, bem como as costelas do pedúnculo, curto-ciliadas. Diferencia-se desta por apresentar brácteas castanhas, sépalas laterais sub-equilaterais e estaminódios densamente pilosos. Também é muito similar morfologicamente a X. asperula, por ambas apresentarem espigas em geral ovoides com brácteas concolores e lâminas achatadas. Difere desta, por apresentar a margem da bainha glabra próximo a base, enquanto em X. asperula essa região apresenta tricomas longos.

Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.

Deixe um comentário