Erva solitária ou cespitosa formando pequenas touceiras, perene, base pouco dilatada, mucilagem hialina ausente. Rizoma horizontal com entrenós curtos.
Folhas 4–15 cm compr., dísticas, eretas; bainha 1,9–7,5 × 0,38–0,99 cm, abruptamente dilatada na base, verde, lisa, margem hialina, carena curto-ciliada, tricomas caducos; lâmina 2,1–7,5 × 0,16–0,42 cm, achatada, verde a vermelha, lisa, margem glabra ou curto-ciliada, principalmente nas folhas jovens, ápice acuminado. Lígula ausente. Espata 3,8–12,5 × 0,18–0,39 cm, verde, carena glabra a curto-ciliada, margem hialina, lâmina presente. Pedúnculo 14–40 × 0,04–0,12 cm, sub-cilíndrico, verde, liso, com pontuações, 1-costelado, costelas glabras a curto-ciliadas, tricomas alvos. Espiga 7,3–9,3 × 3,3–5,9 mm, elipsoide a obovoide; brácteas castanho-claras, as basais carenadas, mácula ausente, margem lacerada, alvo-hialina, glabra; brácteas estéreis ca. 4, ovadas; brácteas florais ca. 8, obovadas.
Flores com sépala anterior membranácea, amarelada; sépalas laterais 4,1–6,2 mm compr., inclusas, estreito-oblongas a estreito-oblanceoladas, inequilatarais, ápice acuminado, carena estreita, esparsamente curto-ciliada, mais densos na porção central, tricomas alvos; lobo das pétalas ca. 3 × 1,6 mm, oblongo a obovado, margem erosa; estaminódios ca. 0,9 mm compr., pilosos por todo ramo; estames ca. 1,1 mm compr., anteras oblongas; estilete ca. 4,6 mm compr., ramos ca. 1,5 mm compr.; placentação basal.
Cápsula ca. 3,6 × 2 mm, obovoide.
Sementes ca. 0,5 × 0,2 mm, castanho-avermelhadas, translúcidas, elipsoides, reticuladas, ápice apiculado.
Distribuição e hábitat: Xyris hymenachne é restrita à América do Sul, ocorrendo da Venezuela ao Paraguai (Wanderley 2011). No Brasil, ocorre em todas as regiões, tendo no estado de Santa Catarina seu limite austral (Flora do Brasil 2020 em construção). Apresentava poucos registros para o Paraná, porém durante as expedições realizadas
no presente trabalho foi observado que a espécie se distribui por toda região dos Campos Gerais, possuindo apenas um registro para a Serra do Mar.
Ocorre preferencialmente em barrancos onde há constante fluxo de água e margens de rios lajeados onde o solo é exposto. Também pode ser encontrada em meio ao campo e locais onde há uma maior competição por espaço, porém com menor frequência.
Fenologia: é encontrada com flores de novembro a abril. Foi observada com flores abertas apenas pela manhã.
Notas taxonômicas: difere das outras espécies ocorrentes no Paraná por apresentar a margem das brácteas longas e hialinas, geralmente laceradas. Pela disposição dística das folhas pode ser vegetativamente confundida com Xyris jupicai ou Xyris savanensis, mas difere destas espécies principalmente por não apresentar mácula nas brácteas.
Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.