Xyridaceae – Xyris guaranitica

Erva cespitosa, perene, base pouco dilatada, mucilagem hialina ausente. Rizoma horizontal com entrenós curtos.

Folhas 11,6–29,9 cm compr., espiraladas, dísticas, ereta a torcida; bainha 3–7,11 × 0,81–1,65 cm, dilatada na base, castanho-fulgente, base avermelhada, lisa, margem hialina, glabra; lâmina 7,6–22,6 × 0,07–0,16 cm, achatada, verde, lisa, margem glabra, ápice acuminado. Lígula ausente. Espata 4,53–10,9 × 0,19–0,42 cm, castanho clara, avermelhada na base, carena presente apenas no ápice, margem hialina, lâmina presente. Pedúnculo 33,1–60,3 × 0,08–0,14 cm, sub-cilíndrico, torcido, verde, liso, sem costelas. Espiga 7,5–12,1 × 4,7–7,1 mm, elipsoide a ovoide; brácteas castanho-escuras, as basais carenadas, mácula estreito-lanceolada, verde, margem lacerada, concolor, glabra; brácteas estéreis ca. 8, ovadas; brácteas florais ca. 16, ovadas.

Flores com sépala anterior membranácea, castanha; sépalas laterais 5–6,1 mm compr., inclusas, oblanceoladas a estreito-oblanceoladas, inequilatarais, ápice obtuso, carena estreita, curto-ciliada, tricomas castanhos; lobo das pétalas ca. 4,2 × 3,1 mm, obovado a elíptico, margem erosa; estaminódios ca. 2,6 mm compr., densamente pilosos por todo ramo; estames ca. 2,8 mm compr., anteras oblongas; estilete 5,1 mm compr., ramos 1,9 mm compr.; placentação basal.

Cápsula ca. 4,4 × 1,4 mm, estreito-elipsoide.

Sementes ca. 0,4 × 0,2 mm, castanho-claras, translúcidas, obovoides, reticuladas, ápice apiculado.

Distribuição e hábitat: ocorre na Argentina, Paraguai e Brasil, onde está registrada para as regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste (Smith & Downs 1968). Sua distribuição acompanha o litoral do Brasil e a bacia do Rio Paraná. Na Região Sul, é uma espécie típica da restinga herbácea, ocorrendo preferencialmente na vegetação de entre-dunas, a cerca de 150 m do nível do mar, ou próximo a cursos d’água. No Paraná, as populações sofrem com a influência antrópica direta, pois suas populações no litoral são afetadas pela pressão imobiliária e turismo.

Fenologia: é encontrada com flores de fevereiro a abril.

Notas taxonômicas: pode ser confundida com Xyris hatschbachii, por ambas apresentarem a base das bainhas negras, brácteas com mácula conspícua e porte similar. Entretanto, X. guaranitica apresenta as sépalas laterais inclusas com a carena curto-ciliada e placentação basal, enquanto em X. hatschbachii possui sépalas laterais exsertas com a carena densamente ferrugíneo-pilosa e placentação central-livre.

Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.

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