Erva cespitosa, perene, base pouco dilatada, mucilagem hialina presente. Rizoma horizontal ou ereto com entrenós curtos.
Folhas 73–162 cm compr., espiraladas, eretas; bainha 14–20 × 1,19–1,5 cm, gradativamente dilatada para base, castanho-fulgente a avermelhada, lisa, com pontuações alvas, margem hialina, glabra; lâmina 59–100 × 0,12–0,16 cm, cilíndrica a sub-cilíndrica, verde, avermelhada na base, lisa, margem glabra, ápice acuminado. Lígula presente. Espata 21–25 × 0,54–0,64 cm, avermelhada na base, carena glabra, margem glabra, lâmina presente. Pedúnculo 88–198 × 0,12–0,2 cm, cilíndrico, verde, liso, sem costelas a 1-costelado, costelas quando presentes glabras. Espiga 12,4–13,4 × 7,5–9,5 mm, elipsoide a obovoide; brácteas castanho-escuras, carena ausente, mácula ovada a lanceolada, verde, margem inteira, concolor, glabra; brácteas estéreis ca. 10, ovadas; brácteas florais ca. 20, obovadas.
Flores com sépala anterior membranácea, avermelhada; sépalas laterais 7–7,5 mm compr., inclusas, estreito-oblanceoladas, sub-equilaterais, ápice obtuso, carena alargada, esparsamente curto-ciliada, principalmente da porção mediana ao ápice, tricomas avermelhados próximo ao ápice; lobo das pétalas 6,3–6,5 × 2,9–5 mm, obovado, margem erosa; estaminódios 2,5–3,1 mm compr., densamente pilosos por todo ramo; estames 3,3–3,6 mm compr., anteras oblongas; estilete 9,2–9,6 mm compr., ramos 2,5–3,3 mm compr.; placentação central-livre.
Cápsula ca. 4,8 × 1,7 mm, obovoide.
Sementes ca. 1 × 0,3 mm, castanho-avermelhadas, opacas, fusiformes, estriadas, ápice apiculado.
Distribuição e hábitat: Xyris dusenii é endêmica do Brasil e possui registros nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. No Paraná é encontrada nos campos na região de Curitiba e acompanhando a bacia do Rio Iguaçu. Ocorre preferencialmente em planícies alagáveis, fazendo parte da vegetação de várzea. É a espécie de Xyris de maior porte registrada no Paraná, com seu pedúnculo chegando a cerca de dois metros de altura.
Fenologia: pode ser encontrada com flores de outubro a fevereiro.
Notas taxonômicas: Xyris dusenii foi sinonimizada em X. neglecta por Smith & Downs (1965). Porém, durante a análise da descrição e dos materiais tipo dessas duas espécies, verificou-se que X. dusenii se trata de uma entidade distinta, sendo aqui reestabelecida. Enquanto X. neglecta possui lâmina sub-cilíndrica, brácteas com margem lacerada e pubescente e, sépalas laterais com carena lanuginosa no ápice, X. dusenii possui lâmina cilíndrica, brácteas com margem inteira e glabra, e sépalas laterais com carena esparsamente curto-ciliada.
Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.