Erva solitária ou cespitosa, perene, base dilatada, sub-bulbosa, mucilagem hialina ausente. Rizoma horizontal com entrenós curtos.
Folhas 21–50 cm compr., espiraladas, torcidas; bainha 4,1–8,7 × 0,72–1,21 cm, amplamente dilatada na base, deliquescente, castanho-clara, lisa, margem castanho-hialina a dourada, tricomas castanho-claros na base; lâmina 14,5–41,3 × 0,05–0,1 cm, estreito-achatada a sub-cilíndrica, verde, lisa, margem glabra, ápice acuminado. Lígula ausente. Espata 7,7–19 × 0,15–0,29 cm, castanho-clara, carena ausente, margem hialina, lâmina curta. Pedúnculo 25,5–68 × 0,5–0,07 cm, sub-cilíndrico, verde, glabro. Espiga 6,4–8,6 × 2,8–4,1 mm, elipsoide, brácteas castanho-claras, carenadas, especialmente na região apical, a basal algumas vezes excurrente, mácula ausente, margem minutamente lacerada, concolor, glabra; brácteas estéreis ca. 5, obovadas; brácteas florais ca. 10, obovadas.
Flores com sépala anterior membranácea, avermelhada; sépalas laterais 4,9–6,9 mm compr., inclusas, estreito-lanceoladas, sub-equilaterais, ápice acuminado, carena estreita, glabra a esparsamente curto-ciliada, especialmente na porção mediana; lobo das pétalas ca. 3,8 × 2,6 mm, obovado, margem erosa; estaminódios ca. 2 mm compr., pilosos por todo ramo; estames ca. 2,5 mm compr, anteras oblongas; estilete ca. 5,7 mm compr., ramos ca. 2,2 mm compr.; placentação suprabasal.
Cápsula ca. 3,6 × 1,5 mm, obovoide.
Sementes ca. 0,6 × 0,2 mm, castanho-avermelhadas, translúcidas, fusiformes, estriadas, ápice apiculado.
Distribuição e hábitat: Xyris cervii possui registros nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná (Lozano et al. 2016a). Ocorre em campos naturais, preferencialmente sobre solo arenoso com saturação hídrica. Em geral não forma grandes populações. Em campo é encontrada solitária ou formando pequenas touceiras. A espécie destaca-se
pela bainha foliar geralmente subterrânea.
Fenologia: é encontrada com flores de dezembro a junho.
Notas taxonômicas: Xyris cervii é caracterizada por apresentar bainha deliquescente com margem lustrosa e com tricomas longos e dourados na região basal. É morfologicamente relacionada à Xyris tortula por apresentarem a base da bainha negra e brácteas com margem lacerada. Diferencia-se desta por apresentar, dentre outras características, sépalas laterais sub-equilaterais e placentação supra-basal.
Fonte: LOZANO, E. D.; SMIDT, E. de C. & WANDERLEY, M. das G. L. Estudos taxonômicos das Xyridaceae no estado do Paraná, Brasil. Rev. Rodriguésia, v.69, n.4, p.1737-1769, 2018.