Begoniaceae – Begonia fuscocaulis

Subarbusto terrestre ou rupícola. Caule ereto, ligeiramente pubescente na porção basal e pubescente há na porção apical. Estípulas 8−10 × 2−4 mm, lanceolado-triangulares, persistentes, esparsamente pubescentes.

Pecíolos 4−17 mm compr., pubescentes; lâminas basifixas, 5−9 × 2−3.5 cm, ovada a oblonga, inteiras a muito ligeiramente palmatífidas, assimétrica dimidiadas, base tenuemente lobulada, arredondada-obtusa, margem duplamente serreada, ápice acuminado; membranáceas, glabras; nervura principal diferenciável das demais nervuras basais, oblíqua em relação ao pecíolo.

Cimeiras dicasiais ca. 5 cm compr., ca. 4 nós, pubescentes. Flores estaminadas alvas, sépalas 2, ca. 12 × 10 mm, elípticas a largamente obovadas, margem inteira, tricomas esparsos na face abaxial; pétalas 2, ca. 10 × 4 mm oblanceoladas, margem inteira, glabras. Flores pistiladas não observadas, tépalas 5, ovado elípticas (Smith & Smith 1971).

Cápsulas 8−14 × 2 mm, glabras; alas desiguais entre sí, as menores 11−17 × 4−7 mm, a maior 15−20 × 10−14 mm, largamente obovada.

Esta espécie ocorre em locais rochosos e úmidos, nos estados de Paraná e Santa Catarina, entre 200 e 900 m de altitude. Begonia fuscocaulis pode ser distinguida das demais espécies do gênero na Região Sul pelas lâminas oblongas a ovado-lanceoladas (Fig. 10g-h; Fig11a), assimétricas dimidiadas de consistência membranácea, estípulas lanceolado-triangulares (Fig. 10f), sépalas ornamentadas na face abaxial e capsulas de alas subiguais entre si (Fig. 10e). É frequentemente confundida com B. polyandra, da qual pode ser diferenciada pelas lâminas assimétricas dimidiadas (vs. simétricas).

Várias exsicatas do que consideramos B. fuscocaulis estavam previamente determinadas como B. echinosepala devido às sépalas ornamentadas na face abaxial; no entanto, em B. fuscocaulis as lâminas foliares são membranáceas, com margem esparsamente denteada, não formando lobo distinto, enquanto em B. echinosepala as lâminas são coriáceas, com margem fina e constantemente serrilhada e com lobo evidente. Além destas, Hatschbach 35713 (MBM), apontada como “isótipo” de B. klydophylla Smith & Wasshausen, não foi aqui reconhecida, por tratar-se de binômio não publicado que corresponde a B. fuscocaulis.

O holótipo e o isótipo de B. fuscocaulis são compostos por amostras de duas espécies diferentes. Uma delas provavelmente corresponde a B. angulata, que possui o lobo foliar desenvolvido e flores estaminadas com sépalas glabras, enquanto a outra, que representa aquilo considerado aqui como B. fuscocaulis, não possui o lobo foliar desenvolvido e as flores estaminadas possuem sépalas ornamentadas. Neste caso, uma lectotipificação seria necessária para associar B. fuscocaulis à parte da amostra que melhor corresponde à diagnose.

Fonte: VILLADA, J. C. J. Sinopse taxonômica do gênero Begonia L. (Begoniaceae) para a Região sul do Brasil. 90f. Dissertação (Mestrado em Biologia). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis-SC, 2017.

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