Begoniaceae – Begonia campos-portoana

Subarbusto terrestre. Caule ereto, glabro. Estípulas ca. 15 × 4 mm, elípticas, margem inteira, caducas, glabras.

Pecíolos 11−25 mm compr., pubescentes, com um anel fino de tricomas no ápice; lâminas tenuemente peltadas, 6.9−13 × 3.5−5.8 cm, largamente elípticooblongas, ligeiramente palmatífidas, assimétricas, base arredondada,
margem serreada, ápice acuminado; cartáceas, glabras.

Cimeiras dicasiais ca. 13 cm compr., entrenós ca. 5, glabra. Flores estaminadas alvas, sépalas 2, 17−19 × 15 mm, largamente elípticas a oblongas, margem inteira, ornamentadas na face abaxial; pétalas 2 ca. 14 × 8 mm, elípticas a obovadas, margem inteira, glabras. Flores pistiladas não observadas, tépalas 5, 5−7 × 3−4 mm, elípticas ou ovadas. (Smith & Smith 1972).

Cápsulas ca. 8 × 5 mm, glabras; alas iguais entre si, 9−10 × 2−3 mm, arredondadas.

Esta espécie é endêmica do estado de Santa Catarina (Jacques 2015), só conhecida do município de Joinville, a aproximadamente 500 m de altitude.

Begonia campos-portoana é reconhecível por ser uma das poucas espécies do gênero com folhas peltadas na região sul do Brasil. Além disso, os pecíolos pubescentes, as lâminas ovadas a largamente elípticas e cartáceas, as flores estaminadas com sépalas ornamentadas e as cápsulas com alas iguais entre si, permitem distinguir esta espécie.

Na descrição original de B. campos-portoana, Brade (1954) apontou semelhança desta espécie com B. pilgeriana, já que ambas possuem folhas peltadas e flores estaminadas com sépalas ornamentadas, mas a diferenciou de B. pilgeriana pelos pecíolos pubescentes, lâminas foliares menores, levemente peltadas, e pelas flores maiores.

Mais recentemente, Smith & Smith (1971) separaram essas duas espécies pelas sépalas ornamentadas em B. campos-portoana (vs. glabras em B. pilgeriana), no entanto este caráter não nos pareceu útil para diferenciá-las. Dentre as exsicatas aqui analisadas, notamos que espécimes com pecíolos glabros podem apresentar sépalas ornamentadas ou não. Para diferenciar essas duas espécies, deve-se observar a presença de indumento no pecíolo e sua inserção na lâmina a até 1 cm da margem em B. campos-portoana vs. o pecíolo glabro com inserção a mais de 1 cm da margem em B. pilgeriana.

Fonte: VILLADA, J. C. J. Sinopse taxonômica do gênero Begonia L. (Begoniaceae) para a Região sul do Brasil. 90f. Dissertação (Mestrado em Biologia). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis-SC, 2017.

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