Asparagaceae – Cordyline spectabilis

Plantas arborescentes, dracenóides, 1-7m, pouco ramificadas, glabras.

Folhas sésseis, 50-64×1,5-5cm, recurvadas, lineares a estreito-lanceoladas, ápice atenuado a curto-acuminado, base levemente estreitada e semi-amplexicaule a amplexicaule, margem levemente ondulada, nervuras ascendentes salientes em ambas faces, adensadas na região mediana, formando uma pseudo-nervura central.

Inflorescência terminal, solitária, di a tribótrio, 0,7-1m, ereta, pedúnculo verde-claro, eixos laterais ascendentes, roxo-azulados a quase enegrecidos, laxos na base, adensados para o ápice; brácteas lanceoladas 1-2,5cm. Pedicelo 3-4mm; hipanto ca. 6mm, roxo-azulado a enegrecido; tépalas externas ca. 4mm, roxo-azuladas na face abaxial, creme na face adaxial, subpatentes, curto-apiculadas, 7-nervadas; tépalas internas ca. 3,5mm, creme, ascendentes, 5-nervadas; anteras ca. 2,6mm, creme; gineceu ca. 5mm; ovário ovóide, 2,5-3mm; estilete cilíndrico, ca. 2mm; estigma levemente 3-lobado.

Fruto 6-8mm, subgloboso e levemente 3-lobado, com resto do estilete persistente no ápice.

Distribui-se do Mato Grosso do Sul e sul de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia, em áreas de mata e cerrado. D3, D7, E6, E7, F4: mata mesófila semidecídua, mata ciliar, mata ombrófila mista. Floresce de outubro a dezembro; frutifica de dezembro a agosto.

Embora algumas obras refiram esta espécie como C. dracaenoides Kunth, tal epíteto só foi efetivamente publicado por esse autor como sinônimo de C. spectabilis. Por outro lado, o binômio C. sellowiana, também encontrado em algumas obras sobre a flora sul-americana, só foi validamente publicado em 1850. Apesar de Kunth & Bouché (1848) não terem apresentado informações precisas sobre a origem da planta que denominaram C. spectabilis, Kunth (1850) forneceu dados acurados de procedência para C. sellowiana: Brasil Meridional, (São Paulo), Sello s.n. Contudo, Baker (1875) propôs a sinonimização desses táxons sob C. dracaenoides Kunth. Tal posição é aqui acatada, porém adotando-se como correto o binômio que foi validamente publicado em 1848.

Wettstein (1970) questiona ser essa planta nativa do Brasil, considerando principalmente a distribuição do gênero, chegando a afirmar que “quase não resta dúvida de que a espécie foi introduzida, tendo depois se alastrado” (p. 112). Apesar dessa dúvida, a espécie é encontrada apenas espontaneamente no Sul do Brasil, Uruguai (Herter 1956), nordeste da Argentina (Lorentz 1947) e Bolívia (Killeen et al. 1993), razão pela qual acredita-se ser efetivamente nativa dessa região.

Fonte: PIRANI, J. R. & CORDEIRO, I. Agavaceae. Parte integrante da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, v. 2, p. 5-8, 2002.

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