Passifloraceae – Passiflora elegans

Trepadeira lenhosa, glabra.

Estípula 1,1-2,9×0,5-1,6cm e arista 1-2mm, subreniforme, plana; pecíolo 1,6-3cm, com 3-6 nectários, freqüentemente aos pares, 0,5-1mm estipitadocapitados; lâmina membranácea a subcoriácea, (2,8)3,5-7×(3,3)4,1-6,5(7)cm, 3-lobada, ápice arredondado a obtuso, margem glandular nos sínus, base subpeltada, obtusa, porção unida 2,5-5,8cm, lobos arredondados a ovadooblongos, central 0,8-1,5×2-3,7cm, laterais 2-3×9-21mm, ovado-oblongos, divergindo a 52°-84°.

Flor solitária, 4,6-6,3cm; pedicelo 1,7-3,1cm, articulado a 4-5mm; brácteas verticiladas, 1,4-4,1×0,9-2,3cm, ovadas, ápice agudo-apiculado, margem lisa ou serreada, base arredondada a cordada; hipanto 6-7×13mm, campanulado; sépala carnosa 2-2,3×0,8-1,1cm, oblongo-ovada; pétala 2-2,8×1-1,5cm, oblonga, alva; corona em 3-4 séries, 2 externas 2-2,3cm, filiformes, ápice sinuoso, bandeadas de alvo com lilás na base e com roxo no ápice, interna(s) 6-12mm, estipitada(s); opérculo 1,3mm, membranoso, margem inflexa, 2mm, pregueada; nectário anular carnoso, 1mm; límen membranáceo, 2mm; androginóforo 13-16mm; filete 6mm; antera 6,5mm; ovário 4-5mm, arredondado; estilete 7-8mm.

Baga 3-4cm, subglobosa, amarelo-pálida; semente 4-5×3×1,5mm, obovado-apiculada, foveolada.

A espécie é encontrada em Minas Gerais, São Paulo (onde se encontra vulnerável à extinção), Santa Catarina e Rio Grande do Sul e na Argentina e Uruguai. E8, E9, F6: em florestas. Coletada com flor e fruto em dezembro.

Está sendo referida pela primeira vez para São Paulo e Minas Gerais. Foi ilustrada por Harms (1925), Sacco (1980) e Deginani (2001). O exemplar Silva et al. 175 foi identificado por Cervi (1997) como P. watsoniana Mast., no entanto, apesar de se encontrar apenas com frutos, apresenta as cicatrizes das brácteas muito evidentes e em disposição verticilada, característica não ocorrente nesta espécie. A ocorrência de P. watsoniana como nativa para São Paulo é questionável, pois a única referência da espécie para o Estado é o material Campos-Novaes 845 (US), relacionado por Killip (1938). Campos-Novaes (1904), entretanto, coletou espécies cultivadas sem, no entanto, fazer alusão clara e discriminada destas espécies. Existem grandes semelhanças no formato da lâmina do exemplar de Silva et al. 175 com P. elegans. Outros materiais analisados apresentam diferenças em relação a P. elegans quanto à angulação entre os lobos laterais da lâmina; entretanto, apesar de constantes em relação ao formato da lâmina, apresentam diferenças entre si no tamanho das brácteas e da lâmina. Um material em cultivo no IAC apresenta as folhas semelhantes a P. elegans, mas as brácteas são maiores e têm o ápice arredondado, em vez de agudo. As diferenças de tamanho das brácteas e lâminas e variações na angulação entre os lobos laterais e ápice das brácteas podem ser consideradas pequenas, mas seriam necessários mais materiais e análises minuciosas para comprovar se todos os materiais mencionados pertencem a P. elegans ou se pode haver uma espécie distinta e possivelmente nova para a ciência.

Fonte: BERNACCI, L. C. Passifloraceae. Parte integrante da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo, Instituto de Botânica, São Paulo, v. 3, p. 247-274, 2003.

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