Ervas robustas, subarbustos a arbustos, 1,0-3,0 m alt.; internós 1,7-7,3 cm compr.
Folhas opostas ou 3-verticiladas; pecíolo 0,3-1,1 cm compr. ou folhas subsésseis; lâminas 3,3-10,5×2,2-4,8 cm, ovais a elípticas a obovais, ápice arredondado ou obtuso, raramente agudo, base atenuada, às vezes cuneada, raramente obtusa, margem serreada, às vezes serrulada, densamente tomentosa com tricomas tectores em ambas as faces.
Cimeira com 1-4 flores na axila das folhas, pedúnculo ausente; cálice verde a avermelhado, 1,0-1,8 cm compr., face externa densamente tomentosa, face interna densamente tomentosa nos lacínios e glabra ou densamente pubescente na base, com tricomas tectores em ambas as faces, lacínios lanceolados com ápice acuminado quando eretos (totalmente verdes) ou triangulares quando reflexos (marrons ou vermelhos na face interna exposta); corola infundibuliforme com base cilíndrica geralmente não muito longa e expandindo-se em direção à fauce, esverdeada a creme-esverdeada externamente e esverdeada e pintalgada ou estriada de roxo internamente, face externa densamente tomentosa com tricomas tectores, base e alguns lacínios glabros, face interna pubescente com tricomas capitados subsésseis apenas na parte mediana, o restante glabro, 3,6-6,1 cm compr., base 0,3-0,7 cm diâm., fauce 1,8-3,8 cm diâm., lacínios subiguais, 0,7-1,3 cm compr., 1 superior glabro, 2 laterais tomentosos, 2 inferiores metade glabros metade tomentosos ou 1 deles totalmente glabro; estames inclusos, filetes 3,2-4,4 cm compr.; nectário formado por 5 glândulas isoladas; ovário semi-ínfero, elipsóide, pubescente.
Fruto castanho, elipsóide, assimétrico, com cálice encobrindo-o ca. 2/3, mas com lacínios precocemente caducos, 1,5-2,2×0,9-1,3 cm.
É provavelmente endêmica de Minas Gerais. Na área de estudo, ocorre nas regiões do Planalto Diamantina, da Serra do Cipó e do Sul, podendo ser encontrada entre rochas, em campo rupestre ou em barrancos úmidos. Foi coletada com flores de janeiro a julho e com frutos de janeiro a julho e em novembro. Muito próxima de Paliavana werdermannii Mansf., pode ser distinta pelo formato do cálice e tamanho de seus lacínios, além de outras diferenças menos marcantes (tabela 1). Wiehler (1984) publicou Paliavana lasiantha a partir de materiais pertencentes à espécie aqui tratada (P. sericiflora), o que é evidenciado no trabalho anterior do mesmo autor (Wiehler 1983), onde ele propõe P. lasiantha como um nomen novum, substituindo P. sericiflora (supostamente devido à contradição entre ilustração e descrição). Isto, entretanto, contraria o Código Internacional de Nomenclatura Botânica, uma vez que P. sericiflora não é um nome ilegítimo.
Fonte: ARAÚJO, A. O.; SOUZA, V. C. & CHAUTEMS, A. Gesneriaceae da Cadeia do Espinhaço de Minas Gerais, Brasil. Rev. Brasil. Bot., v. 28, n. 1, p. 109-135, jan.-mar. 2005.